ELYANE LACERDDA
PORTUGUÊS
TEXTOS
 
TEXTO

EU E O MUNDO


Eu
M U N D O
Eu e o Mundo
Um passo no fundo
Escuridão
Da história
Do vácuo
INTERIOR E PROFUNDO

Eu
M U N D O
Eu e o Mundo
Na Luta
Dos sonhos
Ilusões que se fundem
Bocas que se unem
Num beijo melado e difuso
Eu e o Mundo

Mais que segundos
Grandes amores
Que se perderam na estrada
Nas águas dos rios escuros

Eu

-

M U N D O
Eu e o Mundo
Realidade
Ferida que arde e lateja
Com a distância dos corpos

Eu
M U N D O
Eu e o Mundo
Línguas que se tocam
Num incendiar
Desespero no ar
Nada me basta
Apenas eu
M U N D O
Eu e o Mundo



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Eu e Outras


Quem sou ?
Sou eu e outras...
Eu as comando.
Mas não vivo em outras...
Determino
Mas as outras olham... observam...sentem...vivem...
Eu apenas
Domino
O viver de todas as “outras”!
Quem sou?
Eu e muitas “outras”...




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As águas dos Rios


“Se não faz sentido
Discorde comigo
São águas passadas
Escolha outra estrada
E não olhe pra trás” (Capital Inicial)

A vida
Corre como as águas dos rios,
E o meu peito arde em chamas,
Minha voz emudece
E minha saudade inflama.
A vida
Corre como as águas dos rios,
Há dias fartos; alegria, amigos, fantasias,
Outros de seca e intensa devastação interna.
Não olhe para trás,
As águas não voltam,
Estão sempre seguindo numa direção futura.
O desejo ficou guardado e contido,
A boca treme
O corpo aguarda suas mãos,
Seus pelos.
O suor noturno dos amantes,
Que se arrastam nas cobertas
E se amam com extrema explosão!
As águas seguem,
Os amores nunca morrem,
Apenas adormecem nas beiras dos rios,
E a vida segue como as águas
Sempre na direção futura
Não olhe para trás!




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Escrever me alucina


Escrever me alucina, tenho mesmo a impressão de estar flutuando...de me deslocar livremente na atmosfera e contrariar todas as leis da física, apenas de vivenciar a liberdade, algo indescritível!

Letras ao redor, música ao fundo, danço em todas as direções e consigo compor frases e poemas, que são a razão do meu estar no mundo!

O teclado é meu visor das emoções sentidas , fico meio determinada a não parar mais, escrever em alta frequência, sem pausas, sem definições de estilos, pois a vida determina a cada momento um sentimento, esse é o verdadeiro estilo próprio literário!

Um café bem forte e um respirar fundo...de repente percebi que não há pessoas ao meu redor, algumas partiram e outras se foram... restaram muitas palavras, muitos contos, grandes observações e um sorriso para alegrar minha própria vida! O sono veio profundamente e fui meio obrigada a deitar esse corpo, que só queria mesmo era bailar pelas ruas e gritar ao mundo o quanto estamos sozinhos, todos caminhando pelas ruas em direções opostas ou não, mas todos inteiramente sozinhos e calados.

Sinto-me privilegiada, pois posso falar através de meus escritos e desabafo toda essa angústia que se aloja no peito daqueles que são sensíveis e grandes observadores. A vida não me oferece grandes oportunidades, mas aproveito as palavras para descolar grandes questionamentos com a humanidade.

Num canto da casa desbravo situações, provoco reações, deixo transparecer minhas dúvidas, calo e grito simultaneamente, um reflexo da pluralidade dos seres humanos. Afinal, somos e deixamos de ser sempre, não estamos marcados pela certeza, pois não há exatidão na vida, há apenas uma mudança de interpretação de fatos, atos e decisões, assim como o sol e a lua! Sempre me senti inteiramente sozinha!

Há sempre uma insatisfação dentro de cada um, uma loucura opaca e indefinida, mas percebo em cada rosto que encontro pelas ruas; para mim é mais que translúcido!

Só quem escreve e tem os sentidos muito apurados, percebe aquilo , que não se consegue detectar na face; mas nos olhos, espelhos da alma!



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AINDA


Ainda escrevo
Poemas QUENTES
E N V O L V E N T E S
Com gosto de saliva
Com o calor entorpecente
Dos vulcões em erupção constante
Ainda escrevo
Sobre loucos amores
Que nos fazem acreditar no AMANHÃ
Ainda escrevo
Sobre paixões vividas
Sonhadas
Sentidas
Como uma explosão e um intenso clarão
Na pele
Nas veias
Na língua
Ainda escrevo e sinto o AMOR
Sem nenhum PUDOR




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“Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar ao menos um instante
Em tudo que existe.”
A EMOÇÃO E A RAZÃO


Há momentos em que separar a razão da emoção faz toda a diferença, mas pessoas sensíveis; escritores , poetas, artistas de uma forma generalizada, sentem muita dificuldade em estabilizar este equilíbrio, pois quando lidamos com arte não podemos nos limitar, temos que dar asas à imaginação, sonhar é tudo o que nos faz viver e respirar .

Pequenas atitudes alheias podem nos machucar e nos remeter ao “mundo da fantasia”, e quando passamos pelo “túnel imaginário”, não conseguimos discernir aonde vamos, se queremos, se fomos mal entendidos ou simplesmente excluídos!

Questionamos sempre...

O que nos fortalece é a certeza de que podemos contar com alguns amigos, que nos impulsionam para positividade e nos mostram um lado muito especial da vida, não importa se somos “razão” ou “emoção”, o que nos importa é o sorriso que trocamos, o olhar carinhoso direcionado para a nossa pessoa, quando estamos em crise e precisamos nos equilibrar.

Os verdadeiros amigos não nos abandonam nas dificuldades; muito pelo contrário, eles nos fortalecem.

Com a maturidade aprendemos a direcionar melhor nossos impulsos e nossas emoções, não somos tomados pela “paixão”, que é avassaladora e efêmera, há uma facilidade maior em lidarmos com a razão na hora certa. Muitas vezes deixamos para nos emocionarmos no quarto , quando estamos sozinhos , pois não devemos demonstrar fragilidade para o que chamamos de “convívio social”, este não perdoa; se somos fracos, estamos banidos do grupo. Há uma hipocrisia muito grande entre os seres humanos; todos estão sempre em posição de defesa, e a guerra é contínua, vence o mais esperto, aquele que usa seu escudo e não se deixa influenciar nem se intimida!

Questionamos sempre...

“Quem me dera
Ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender.”




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IDENTIDADE


Faça,
Abrace,
Ameace,
Desestruture.

Faça,
Tente,
Solte-se,
Liberte-se,
Ame-se
Por inteiro.

Faça,
Abrace,
Sonhe,
Beije,
Entrelace,
Lambuze
A boca,
A pele,
As veias,
O sangue
De Amor.
Faça
Com arte,
Ultrapasse
Medidas,
Limites,
Fronteiras,
Batalhas.
Faça,
Não desfaça
A graça de viver!

Seja todo você!




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A VASSOURA VOADORA

Nestes últimos dias, não tenho conseguido escrever contos interessantes, ou pelo menos, que eu os julgue interessantes, mas quase desistindo da ideia, sentada e lembrando-me de algumas passagens da infância, veio-me à mente uma cena indescritível!

- Na minha infância não brincava muito na rua, pois minha mãe não gostava, ficava preocupada e sempre brinquei em casa com meus próprios brinquedos, ou algumas amiguinhas brincavam comigo, mas sempre de preferência na minha casa com muitos brinquedos de amigas também, quanto a isto não havia nenhum problema, pois minha mãe servia lanche, tratava minhas coleguinhas muito bem , mas eu adorava ir lá fora brincar, era diferente, poder sentir a liberdade da rua era contagiante!

-Volta e meia eu pedia para minhas amigas me chamarem, e quando minha mãe chegava para atendê-las , elas pediam para que ela me deixasse brincar na calçada; pulava amarelinha, brincadeiras bem infantis mesmo, nada de brincar de médico rsrsrsrs nem de salada de frutas rsrsrs, seria mesmo difícil , pois só era permitido brincar com três meninos, que eram de famílias que meus pais conheciam e sabiam que eram pessoas de caráter e trabalhadores.

-Muitas vezes aproveitamos essas referências e trocamos alguns beijinhos na “salada de Frutas” tão conhecida e adorada pelas crianças. Sentávamos na minha varanda e disfarçadamente brincávamos de frutas deliciosas rsrsrrs.

Um dia à tarde, por uma” sorte”, minha mãe permitiu que eu jogasse bola em frente à casa com as meninas, mas só com as meninas!
Estávamos num jogo muito ativo, alegres e descontraídas, quando passou um menino bem mais velho (mas morava no bairro) de bicicleta e pediu para jogar conosco, lógico que imediatamente eu disse que não poderia participar da brincadeira. Ele andou um pouco com a bicicleta indo embora, e quando eu estava virada de costas, ele veio com toda velocidade e me atropelou friamente, eu fui socorrida por um rapaz que passava, e logo chamaram meus pais.

Meu pai me carregou para o hospital e precisei levar 5 pontos na perna direita, ficou um aspecto feio, pois a gordura saiu, muito estranho a aparência do machucado, mas correu tudo bem, eu não fiquei magoada, mas não conseguia entender como aquele garoto podia ser tão mau, talvez estivesse de olho nas minhas pernas grossas, pois sempre foram grossas e roliças, ele deveria estar com intenção de chegar perto de mim, como se sentiu ferido, resolveu me agredir simplesmente, safado mesmo!

Minha mãe, que não era de ficar quieta quando mexiam com suas filhas, esperou com bastante paciência o momento ideal para dar o “troco”. O menino passava sempre perto do muro de nossa casa, e numa linda tarde, quando ele menos esperava... veio todo alegre da escola; assoviando, dando pulinhos, enquanto eu estava enfaixada na cama . Minha mãe pegou uma vassoura e ficou atrás do muro, quando ele passou, ela deu muita vassourada neste menino , e disse que era pra ele aprender a não ser malvado com as pessoas, precisava ter respeito pelas meninas!

Ótima lição!!!!!!Aposto, que ele nunca mais se sentiu “valentão” perante às mulheres!



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ALGUMA COISA


Alguma coisa
Acontece,
Explode no interior,
Desloca,
Interroga,
Desatina ao amanhecer.

Alguma coisa
Indefinida
Desata,
Devasta o ser.

Alguma coisa
Aparentemente leve,
Mas sólida como um vulcão latente
Desperfuma
As rosas,
Os jasmins,
As flores do campo.


Alguma coisa
De imensa dimensão
Clara,
Vivida,
Transluzente,
Vive no coração dos homens.

Alguma coisa
Como uma solidão cadente.




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UM SORRISO NO ELEVADOR


Bárbara resolveu numa sexta-feira sair com Pâmela e Bruno (seus dois filhos mais novos), ela não dirigia, mas Pâmela já estava com habilitação. A noite permanecia muito fria e já passava das vinte e uma horas, mas para final de semana, estava muito bom, pois no dia seguinte ninguém acordaria cedo mesmo!

Assim que saíram da garagem do prédio começaram uma discussão dentro do carro, Bárbara tentava acalmar os ânimos, mas havia um clima muito confuso, de repente os três estavam em perfeito atrito, não conseguiam concordar com nada e nem se respeitavam mais, era uma guerra em família!

Decidiram ir a um Restaurante Japonês, pois elas adoravam comida japonesa ,mas passaram antes num bar muito bom, que oferecia sanduíches maravilhosos de filet mignon, para que Bruno fizesse seu lanche, antes de irem em direção ao “Japa”, pois ficava em outro canto da cidade.

Mas durante todo o percurso não conseguiam entrar em um acordo, estavam ansiosos, sem paciência, uma situação muito desagradável, e Bárbara se preocupava com a direção do carro, pois Pâmela era muito afoita e virava a direção com muita rapidez, o que a deixava “sem chão”!

Conseguiram chegar ao bar dos sanduíches e ficaram conversando do lado de fora, todos numa mesinha na calçada, aguardando até que o garçom trouxesse o pedido de Bruno. Logo que chegou, ele o devorou como qualquer adolescente faminto.

Foram logo em seguida, em direção à comida japonesa!

Pâmela estacionou o carro bem na frente do restaurante, pois havia uma vaga surpreendentemente, o que não é de costume, muito menos numa sexta-feira!

Saíram do carro e recomeçaram a discussão aleatória. Bárbara e Pâmela escolheram seus pratos e ficaram aguardando o serviço, até que chegaram à mesa aquelas “maravilhas” coloridas e saborosas.

Quando elas já estavam terminando a refeição, Bruno e Pâmela se olharam e começaram a rir, Bárbara “entrou na dança” e foram muitas gargalhadas.

Pediram a conta, e foram para o carro abraçadinhos e cheios de amor, uma família feliz! Passearam no centro da cidade, deram umas voltas para ver o movimento na noite, mas o clima era todo de “Amor”. Ligaram o som do carro e cantaram muito alto, a alegria estava contagiante.

Ao chegarem na garagem do apartamento, eles se abraçaram e saíram do carro juntinhos, beijinhos eram trocados, uma harmonia perfeita.

Foram em direção ao elevador, e o chamaram, pois estava em outro andar.

Pâmela olhou para trás e disse estar meio arrepiada, Bruno também sentiu algo meio estranho no local, e quando entraram no elevador, Pâmela gritou:

-Mãe, olha tem um “vulto de um homem” olhando para nós, e ele está acenado e sorrindo, como se dissesse :

-Tchau!

Ficaram entorpecidos e quando entraram em casa, sentiram uma leveza interior.



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BEIJO ROUBADO


Seu beijo roubado,
Razão do nosso delicioso pecado
Declarado nas nossas veias.

Seu beijo roubado,
Ameaçador,
Ingênuo e perfumado,
Melado,
Desatinado,
Enlouquecido de prazer.

Seu beijo roubado,
Rosado,
Felino
É mais que um pecado...
Mistério,
Segredo,
Madrugada,
Sonho,
É quase reflexo de Amor!




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